quinta-feira, 24 de julho de 2014

Memória

Sabe quantas vezes esse texto foi escrito e apagado? Pois eu também não sei. Me perdi entre tantas linhas e letras e pontos e vírgulas e contextos descontextualizados. Me afundei em dúvidas e perguntas e questionamentos e incertezas e medos e mais dúvidas com novas perguntas. Apaguei antes mesmo de escrever - só não consegui apagar da memória.

Enquanto o cursor pisca, ela vem me apunhalar lembranças esquecidas (esquecidas ou não lembradas?) (ignoradas ou esquecidas?). O texto nem chegou a se formar, mas já tinha sido erradicado para sempre de toda e qualquer forma de retimento na memória.

Enquanto o cursor pisca, toda e qualquer forma de derretimento da memória está sendo testada. Está sendo analisada. Está sendo querida. E requerida. E requisitada. E estará sendo irritantemente inoportuna. Ué, as coisas precisam fazer sentido? Já dizia o poeta que "quem faz sentido é soldado". Seja lá como for.

Sabe quantas vezes esse texto foi escrito e apagado? Bom, a partir desse ponto, nenhuma. Talvez só um errinho aqui e ali de digitação. Ou de pensamento rápido demais para os pobres dedos. Sabe quantas vezes esse texto foi escrito e apagado? Acabei de mentir.

Enquanto o cursor pisca, eu me pergunto: aonde nós vamos hoje à noite? Teremos mais memórias para serem arrasadas e devastadas e desmatadas de nossa própria memória? Ah, essas lembranças esquecidas que voltam para nos apunhalar em momentos inoportunos.

Mas te pergunto: e as lembranças que achamos que soubéssemos? E as lembranças que nos são enfiadas goela abaixo, como se fôssemos uma garrafa? Enquanto o cursor pisca, cheguei a nenhuma conclusão decente. Ou talvez tenha chegado e não tenha percebido. Ou talvez tenha chegado, mas não queira te contar.

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