Renato não aguentava mais. Sabe, tem uma hora que cansa ter que ficar carregando o mundo nas costas. A reunião até que tinha sido rentável. Um acordo novo foi fechado, Renato conheceu uma garota legal e eles saíram depois da janta.
Mas havia um porém.
Renato sentia-se estranho. Talvez era remorso de não ter levado a garota pro motel logo de cara. Talvez era o acúmulo de noites mal dormidas pensando em como tirar a empresa do vermelho. Talvez fosse só o peso dos anos sobre os ombros já não mais atléticos de outrora. Talvez estivesse só ficando velho e ranzinza.
Qual era o problema? Eles tinham se divertido, a bebida estava gelada e o restaurante era agradável. Alguém tinha se interessado em comprar as ações de uma empresa quase falida. Havia uma mulher que o queria, e em momento algum escondeu isso. Não escondeu nem a vontade de sair com Renato nem os seios, que pulavam para fora do decote e deixavam o homem desconcentrado de tempos em tempos.
A conversa foi divertida, afinal. Não era sempre que uma mulher se interessava por Renato. Mulher casada então? Ih, de vez em nunca.
Mas havia algo de errado com o pobre Renatinho.
Deitou na cama. Os pensamentos já ecoavam pelo quarto. Tomaram conta de tudo que era do homem. Invadiram quarto, sala, cozinha e banheiro. Se estenderam pela lavanderia e passearam pela grama do vizinho. Eram tantos e tão terríveis, que Renato nem se deu conta de que outra coisa também estava gritando por atenção.
Deitou na cama e não se levantou mais. O pobre coração do pobre Renato não aguentou tantos pensamentos.
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