terça-feira, 23 de abril de 2013

Você se foi

Quando eu te conheci, você ainda cabia numa caixinha de papelão. Mal tinha aberto os olhinhos, ainda era sensível ao som e não sabia o quanto um novelo de lã podia ser divertido. Estava recém descobrindo que o mundo era muito mais que a companhia de sua mãe. Você era tão frágil, tão pequenina. Mesmo assim eu tinha vontade de te apertar, mais e mais, e te segurar pra nunca te deixar ir embora.

Mas você se foi.

E eu fiquei aqui. Sem alguém para atrapalhar as minhas leituras, para pedir leite, ou se enroscar nas minhas cobertas em noites muito frias.

Você se foi.

Já está moça criada, quer ter uma família. Tudo bem, eu entendo. Talvez tenha sido culpa minha também. Eu tive os meus filhos e te esqueci. Só queria dizer mesmo que, independente de onde você estiver, quero que esteja feliz. Com seus filhos ou sua nova família de humanos. Sinto falta do seu miado, minha pequena Alice.

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